Vale Tudo – Solange versus Maria de Fátima e Heleninha consegue enfrentar um trauma
“A gente
pode enganar todo mundo por quase todo o tempo. Quase todo mundo por todo o
tempo. Mas não pode enganar todo mundo por todo o tempo”
Raquel Accioli
não conseguiu impedir o casamento de Maria de Fátima e Afonso. Odete Roitman
deu apoio a sua pupila e, com isso, Fátima conseguiu dar o maior golpe da sua
vida: o golpe do baú. Porém, ela ainda vai ter que enfrentar Solange, e esse é
outro embate inesquecível de “Vale Tudo”. Solange estava no casamento,
presenciando como Maria de Fátima conseguiu o que tanto queria. Então, depois
da cerimônia, ela vai encarar a rival e dizer umas boas verdades na cara dela –
não que isso vá mudar alguma coisa, porque Fátima não tem caráter. Assim, com
muita frieza e cinismo, ela é praticamente obrigada a escutar o que Solange tem
a lhe dizer, e a chérie começa falando sobre o quanto a vilã é uma
pessoa horrível que armou, junto com César, para separá-la de Afonso. Solange também
confessa que tentou dar a volta por cima e que descurtiu Afonso, mas
nada disso é verdade.
Há um toque
de despeito nas palavras de Solange, de ressentimento, mágoa e dor de cotovelo,
e ela é corajosa em demonstrar seus sentimentos, embora eu sempre penso que ela
precisa superar logo isso porque, na verdade, quem realmente saiu perdendo foi
o Afonso – ele nunca mereceu uma mulher como a Solange. Ela reconhece que ainda
ama Afonso, e eu sei que ela precisa dizer tudo o que tem para dizer na cara de
Maria de Fátima para ter sua alma lavada diante de tanta traição e armações. E
a Fátima fica lá, toda na pose de quem sabe que venceu e que não vai abaixar a
cabeça mesmo sabendo que é uma safada que foi capaz das maiores artimanhas para
acabar com o namoro da amiga e Afonso. Com isso, chega o momento de
Solange dar um show com aquele texto mais que conhecido dos noveleiros,
aquele trava-língua sensacional que entrou para a história da nossa dramaturgia
(rs). Então, ela começa:
“Vocês vão
para Paris, sim, como a Odete queria. Você vai ser a dondoca que você sempre
quis. Agora, ser feliz, minha filha, você não vai ser, mesmo. E não fica
pensando que eu acredito que você vai cair, porque eu acho que o bem triunfa
sobre o mal, não, porque eu já tenho idade suficiente para saber que não
triunfa. Você vai cair, mas você vai cair, sim, por dois motivos: primeiro é
aquela velha frase que é sempre bom lembrar, “’A gente pode enganar todo
mundo por quase todo o tempo. Quase todo mundo por todo o tempo. Mas não pode
enganar todo mundo por todo o tempo’”. Essa nunca falhou, Fátima, e não vai
falhar no seu caso. Agora, o outro motivo pelo qual eu tenho certeza que você
vai cair, eu tenho certeza é porque eu vou ajudar, no dia em que você
botar o pé no Brasil, mas com toda a minha força, com toda a minha energia
contra você”.
Logo, Maria
de Fátima quer pagar para ver se um dia Solange será páreo para ela, e Solange
lhe dá a resposta com uma bofetada que faz a rival cair bonito no chão, porque aparentemente
Fátima ganhou o round, está vestida como queria, com o passaporte que queria e
o nome que queria, mas, na verdade, está no chão. Está é uma cena ótima,
que eu estava morrendo de vontade de assistir. Uma cena impecável! Um texto
maravilhoso, atuações incríveis e uma direção ótima. Um arraso! E eu penso que
os noveleiros concordam comigo. Lídia Brondi e Glória Pires arrasaram demais
aqui – embora, todavia, é uma cena em que claramente Solange está ressentida
porque Fátima conseguiu dar a volta nela e lhe tirou o homem que ama, pelo
menos essa é a minha interpretação da situação (posso estar errado ou
enxergando coisa onde não tem), e, pra mim, não combina com o perfil mulher
moderna da Solange ficar alimentando uma rivalidade feminina por causa de
homem.
Ela
precisava, sim, lavar sua alma numa cena como essa e depois desapegar da
situação, mas não é o que vemos mais adiante quando Solange insiste em dar o
troco e mostrar para Afonso que Fátima não vale nada.
Mas, também,
a novela é de uma outra época, e a Solange estava ferida e com dor de cotovelo
por causa de tudo, e, num primeiro momento, qualquer um estaria morrendo de
raiva e com uma vontade enorme de que tudo desse errado para Fátima e Afonso –
principalmente, nesse caso, o casamento. A Solange não enxerga que, na verdade,
não ter Afonso como namorado ou futuro marido era um livramento. Ele não tem
maturidade para aceitar o perfil independente que ela tem. Enfim! São muitas
camadas aqui. Então, por enquanto, Maria de Fátima terá seus dias de dondoca
com direito a tudo o que ela sempre quis. Já numa outra trama, Celina e Raquel
viram grandes amigas quando a irmã boa de Odete Roitman propõe sociedade num
negócio em que elas e Poliana podem sair lucrando, com Celina entrando com o
capital e eles com a mão de obra.
E isso é um
projeto que dará muito certo: num futuro próximo, os muitos restaurantes de
Raquel, Poliana e Celina espalhados pelo Rio de Janeiro. Um projeto que Celina
prefere que fique em segredo por receio da reação de Odete. Depois, num plot
ainda envolvendo a tia Celina, quando ela passa muito mal e não tem quem a leve
para o hospital, Heleninha precisa enfrentar um dos seus piores e maiores
pesadelos: voltar a dirigir. Ela é traumatizada com isso porque sabe que estava
no volante do carro que matou seu irmão Leonardo, bêbada, e, desde então, nunca
mais teve coragem de dirigir. Porém, a tia Celina pode morrer, caso ela não
enfrente esse trauma. Assim, depois que Eugênio a encoraja a dirigir novamente,
pensando única e exclusivamente na tia que tanto ama, Heleninha entra no carro,
consegue levar tia Celina para o hospital e salva sua vida. Ela foi muito
corajosa aqui. Precisou encarar o pesadelo, e conseguiu.
Um ano depois,
é hora de Maria de Fátima e Afonso voltarem de Paris para umas férias no
Brasil, e ela está tal qual Odete, uma cópia: odiando o Brasil, uma terra de
calor insuportável e uma gente horrenda (hahahahaha). Logo, o mundinho dela
desaba um pouco quando Afonso resolve que eles não estão de férias no Brasil e
que não vão voltar mais para Paris. Fátima tenta argumentar, mas é inútil,
porque ele gosta de sua terra e já realizou o sonho dela de passarem um ano em
Paris… e, se ela quiser continuar casada com ele, terá que morar novamente no
Brasil – agora, terá que recalcular a
rota se quiser garantir os dois milhões de dólares que Odete lhe prometeu se
ela ficar, no mínimo, dois anos casada com Afonso (hahahahaha). E o Afonso
parece ter voltado com mais brio para a terra natal, já que ele exige que Marco
Aurélio lhe dê um cargo realmente importante na TCA porque é um dos
herdeiros.
Nesse um ano
depois, Raquel, Poliana e Celina conseguiram expandir seus negócios, eles agora
são donos de 22 restaurantes da rede Paladar no Rio de Janeiro – isso é
que é ter talento para fazer fortuna (kkkkkkkk). Raquel agora é outra mulher,
rica, sofisticada e poderosa. E quando Maria de Fátima vai procurá-la, querendo
uma reaproximação com a mãe que ficou rica e famosa no ramo da culinária, ela
cai do cavalo, porque Raquel ainda guarda mágoas e quer bem longe a filha que
tanto já lhe fez mal, o que é perfeitamente compreensível. Já para Solange, a
volta de Afonso e Maria de Fátima é como um baque, porque a faz reviver muitas
coisas de um passado não tão distante assim. Para dar o troco em Fátima, a chérie
faz um trato com André: Solange cumpriu com sua parte em ajudá-lo com a carreira
de modelo, agora ela quer que ele seduza a rival para a vilã cair na
armadilha e Afonso acabar descobrindo que se casou com uma imprestável.
Porém, esse
é um plano que se demonstra difícil de executar, porque Fátima não liga a
mínima para André – gente, tinha que ser um cara rico, né? Para Maria de Fátima
cair numa dessas, só mesmo um homem montado na grana para ela tirar alguma
vantagem (hahahahaha). Numa nova tentativa de se reaproximar da mãe, que está
muito diferente da mulher que ela sacaneou em Foz do Iguaçu, Fátima recebe
novas ofensas de Raquel, que sabe que a filha é uma interesseira. A verdade é
que Fátima gosta mesmo da mãe, embora suas atitudes demonstrem o contrário,
suas vilanias foram cruéis demais com quem lhe deu a vida e sempre a amou. Mas
ela insiste, já que Raquel está montada na grana e, agora, está perto de ser a
mãe que ela sempre sonhou… então, ela não vê motivos para seguirem brigadas – o
erro da Fátima não foi ser ambiciosa, foi os meios que ela trilhou para
conquistar o que queria.
Concordo com
ela quando desejou que a mãe pensasse um pouco mais alto e tivesse um pouco de ambição,
na vida. A Raquel era muito conformada com o pouquinho que tinha, lá no
comecinho da novela. E agora ela está vendo que ser rica não é nada ruim,
convenhamos (rs). É bonito ver que ela subiu na vida com honestidade, ainda
sabendo que isso é uma novela e que é um tanto raro conseguir chegar onde ela
chegou se não tivesse uma madrinha como Celina. Enfim! Se, por um lado,
Fátima não vê por que seguirem brigadas, por outro, Raquel é resistente à reaproximação.
Ela mostra para a filha o quanto está mudada por fora, mas o quanto está
destruída por dentro por causa das artimanhas da vilã, que culminaram no fato
de ela ter perdido Ivan para Heleninha. E ela joga suas pragas na filha: “Você,
Fátima, vai terminar na rua, feito cachorro de rua, virando lata, catando lixo,
porque isso é o que você é, lixo”. Eita! Mãe e filha seguem sem nenhuma reaproximação.
E ainda há
muito o que acontecer pela frente.
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