Deus Salve o Rei – Ulisses enfrenta obstáculos para realizar seu sonho
Ulisses
(Giovanni De Lorenzi) é um dos personagens mais fofos de Deus Salve o Rei. Sensível, amável, educado e muito gentil, o filho
de Romero (Marcello Airoldi), capitão e instrutor da Academia Militar de
Montemor, tem um sonho; se tornar um grande cozinheiro, ou simplesmente
trabalhar com o que ele mais ama fazer na vida, cozinhar. Mas até chegar a esse
sonho, Ulisses precisou enfrentar diversos obstáculos, e isso não foi nada
fácil para ele. O jovem, de coração puro, sempre fez todas as vontades de seu
pai, ele nunca quis ser um soldado, mas estava ali na academia, treinando,
perseverando e tentando ser um bom guerreiro para dar ao pai o orgulho de ser
um bom lutador.

Ulisses
acaba namorando com Selena (Marina Moschen), o que deixa seu pai contente, e
mostrando para todos o quanto seu filho é macho. Ridículo! Esse foi um romance
que eu torci muito para vingar, pois achava a coisa mais fofa ver Ulisses e
Selena juntos, justamente porque um era o oposto do outro em suas ambições na
vida; ela sempre quis ser uma guerreira, ele um cozinheiro, e ambos se apoiam
em suas vontades, e com isso, de certa forma, eles se completavam. Mas os dois
acabam rompendo por conta de Saulo (João Vithor Oliveira), por quem a jovem
acaba se apaixonando. Embora o amor dos dois não tenha seguido em frente (Uma
pena.), restou a amizade entre eles, ainda que Ulisses sinta algo por Selena, e
uma coisa linda nessa relação de amizade, é ver que a jovem que sofreu
preconceito por trocar a cozinha pela carreira militar, o apoia totalmente,
além de lhe dar a maior força quando descobre que ele tem o sonho de se tornar
cozinheiro, aliás, praticamente o elenco inteiro o apoia, menos seu pai.
Quando,
enfim, Ulisses decide jogar tudo para o alto e investir em sua carreira como
cozinheiro, a guerra entre Montemor e Artena se inicia, e ele precisa adiar o
sonho e a conversa com o pai sobre abandonar a academia, para cumprir
com coragem a parte que lhe cabia na missão; o jovem precisou ajudar a defender
o seu reino fazendo parte do exército. É nobre ver a atitude de Ulisses, lutar
pelo seu povo e se sacrificar mais uma vez por algo que naquele momento era
necessário, mas não era o que ele gostaria de estar fazendo.
Durante
a guerra, Ulisses tem uma atitude valente e linda: ao ver seu pai ferido, ele
arrisca a própria vida para salvá-lo bravamente em meio a batalha, mas é
repreendido por ele por conta de sua atitude “irresponsável”, e que ele ainda chama de “idiotice”. Como assim!? Ele não queria tanto que o filho fosse um
guerreiro? Às vezes é difícil compreender o comportamento de Romero. É nítido
que ele não sabe se expressar sentimentalmente, ficou claro que ele teve medo
de perder o filho na guerra, porém, foi desnecessário agredir o filho de uma forma tão rude, até porque, Ulisses também
teve receio em perdê-lo, e eu no lugar dele teria a mesma atitude também.
Porém, dessa vez, Ulisses não ficou por baixo e enfrentou o pai ao dizer: “E se a situação fosse inversa? Se eu
tivesse em riso, e o senhor tivesse uma única chance de me salvar? O que o
senhor faria? Me abandonaria pra que eu morresse? Já que um soldado morto é
melhor do que dois. Foi um tapa na cara de Romero. Difícil. Já que no amor
e na guerra vale tudo, inclusive salvar quem se ama.
A
relação entre pai e filho fica ainda mais estremecida quando Ulisses se vê entristecido por nunca agradar seu pai em nada, e decide abandonar a academia de uma
vez por todas depois da guerra. Mais uma vez, tudo é colocado em “pratos limpos” quando os dois voltam a
falar sobre o episódio da guerra, o jovem se sente inferior por nunca ser
reconhecido pelo pai; durante o Torneio da Cália, por exemplo, quando ele não
ganhou nenhuma disputa e só recebeu broncas, além de ser humilhado ao ouvir o
pai exaltar Saulo, como se quisesse comparar o quanto o outro é melhor que ele
em tudo o que se refere a academia militar. Em um discurso feito por Romero aos
alunos da academia sobre o bom desempenho, e a vitória de Montemor na guerra,
Ulisses joga sua espada no chão revoltado. Ao ser indagado pelo pai o que
estava fazendo, ele responde: “Nós não
temos o que comemorar, nós não trouxemos apenas a água de Artena, trouxemos
também sangue, e esse sangue está em nossas mãos e delas jamais sairão”.
Ulisses experimentou de perto as consequências de uma guerra, e enxergou que
não há o que se comemorar em uma batalha. Com isso, o jovem teve ainda mais
certeza que seu lugar não era em uma vida militar, muito menos ser um soldado.
Que venham
novos pratos deliciosos para nos fazer comê-los com olhos, pois só dessa forma
será possível degustar as delícias de Ulisses.
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